sexta-feira, 14 de março de 2008

Deles para a gente


Historicamente, foi Chanel (mais uma vez ela!) a primeira mulher a "roubar" peças do guarda-roupa masculino. Suéteres, calças de marinheiros, camisas brancas. Muitas e muitas décadas depois, a moda feminina gruda o olho na moda masculina - vide o nosso inverno, repleto de sapatos Oxford. Acho sempre divertido, desde que balanceado - nada de parecer andrógina, please, por isso, um batom vermelho sempre cai bem. Acho mais legal ainda pegar uma peça realmente masculina (feita sob medida para eles) - pode ser uma ótima opção para ficar na tendência e fugir da mesmice. Na estação passada, por exemplo, comprei uma maxicamiseta de georgette com póas do masculino do Alexandre Herchcovitch. Tá certo que poucos homens a usariam, mas ela estava lá na arara dos meninos. Como ela é grande, acabo usando como vestidinho - com sapatilhas fica o máximo! Nesta coleção, já estou de olho em uma camisa listrada com uma gola que faz as vezes de gravata, em uma preta transparente (foto) e em uma camiseta cheia de franjas (linda, linda, linda). O legal de pegar "direto da fonte" é que você surpreende e dificilmente acha alguém igual por aí. Além das peças do Herchcovitch, vi ótimos tricôs e chapéus na Forum masculina. Também vale a pena sempre dar uma olhada na Zara, já que os preços são ótimos. Só um detalhe: experimente tudo e só compre peças proporcionais ao seu tamanho, para não parecer herança de defunto. Como a modelagem masculina normalmente é maior, diminua um número do seu manequim. E bom troca-troca.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Marie vai com as outras


Foto: Divulgação

Acabei de fazer minha inscrição para ver Marie Ruckie, célebre diretora do Studio Berçot, que vem ao Brasil mais uma vez por intermédio da Escola São Paulo, de Isabella Prata. Ano passado, fui a um dos encontros, no Iguatemi, e ouvi Marie falar sobre o papel da imprensa de moda e um pouquinho sobre a moda brasileira. Francesa, com alta milhagem, Marie sabe muito das coisas e não poupa ninguém - disse, entre outras coisas, que tudo na moda já foi criado, então, é preciso pesquisar e muito para surpreender nos detalhes, como andam fazendo, by the way, os maiores criadores da atualidade: Balenciaga, Prada, Marc Jacobs. A pesquisa vai nos tecidos, na estrutura da roupa, no corte, já que não existem mais peças para serem inventadas. Marie também ficou chocada com os preços altos da moda brasileira (se ela checar as etiquetas do nosso inverno, com vestidos na casa dos R$ 5 mil, vai ter um choque, provavelmente!) - achou que o melhor custo/benefício estava nas Lojas Marisas, aquelas conhecidas por muitos como depósito de lingerie e camisola (na época, o Chic fez uma matéria sobre isso, com o divertido título deste post). Neste ano, pretendo ir aos cinco encontros, que vão debater, entre outras coisas, a moda como linguagem do nosso tempo e as novas carreiras do mundinho fashion. As cinco palestras custam R$ 300, mas há opção de ir a apenas uma, por R$ 70. Quem quer e pode se aprofundar, deve ficar com os workshops. Confesso que adoraria fazê-los também, mas o preço, para mim, não deu: R$ 2 900.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Butão fashion


Fotos: Cris Barros e The Dragon House, filme de 2005


Confesso que por ignorância geográfica/cultural, sabia pouca coisa sobre o Butão - é um país fechado, budista e espremido entre a Índia e a China. Mas parece ter algo que mexe com as pessoas e, voilà, com a moda. Primeiro, foi a estilista Andrea Simioni, que disse para minha amiga e jornalista Simone Esmanhotto: "Se você me perguntar se quero ir para Paris ou para o Butão, fico com a segunda opção." Bom, conhecendo a loja da Andrea e seu estilo, era até fácil de entender. Depois, foi a vez do meu médico e acupunturista, Rodrigo Scabello, soltar a máxima: "Prefiro conhecer o Butão a Índia". Hum, os dois têm seu quê alternativo-esotérico, imagino. Mas aí vem a estilista Cris Barros, famosa por vestir as margaridinhas de plantão (eu adoro o trabalho dela, by the way), e faz uma linda coleção de inverno inspirada no... Butão! Durante o lançamento para a imprensa, Cris falou que pesquisou um monte em livros, mas que não conseguiu ir até lá porque ficou doente bem na época da viagem - e olha que é superdifícil entrar no país, já que eles exigem visto e não estão nem aí para o turismo. Imagino que esse "hype" tenha tudo a ver com o momento oriente da moda: as golas dos monges, as cores terrosas, as flores do campo. Cris adaptou tudo isso e criou vestidos de seda com drapeados incríveis, por exemplo. Eles lembram o Oriente, mas fazem bonito em qualquer festa no Ocidente. Já Balenciaga fez ombros arredondados e criou estampas chinesas, quase kitsch. Também acho que países pequenos e praticamente isolados despertem cada vez mais a curiosidade, já que gigantes como a China estão cada vez mais ocidentalizados - olímpiadas, crescimento do PIB, desfile da Fendi, festa da Ferragamo...todo mundo tá indo pra lá, até as lojas C&A. Qualquer que seja o motivo, é sempre bom ver culturas tão diferentes traduzidas em panos e mangas. E quem se animar e quiser conhecer o Butão, é bom se preparar: conhecido como o reino do dragão, o país foi o primeiro país a abolir a venda de cigarros, vê com maus olhos a televisão e preserva hábitos seculares: alimentação, o tiro com arco (esporte nacional) e as vestimentas. A maioria dos albergues é simples e não tem água quente, e não espere topar com lojas, restaurantes ou bares. Ah, também não há quase telefones e é comum cortes de energia. É um lugar zen, que prega o desapego e está pouco interessado no consumismo. Mas que deve ajudar a vender muitas roupinhas, pelo menos no Ocidente.

terça-feira, 11 de março de 2008

Não dê de ombros


Lanvin e Alexandre Herchcovitch



Balenciaga e Givenchy



Marc Jacobs e Priscila Darolt

É bem verdade que os anos 1980 não sopraram com tanta força neste inverno. Mas, os ombros fortes, que tanto marcaram essa década, parecem que não vão sair de cena tão cedo. Os volumes que já apareceram em outras temporadas, agora, vêm mais estruturados, ora arredondados, lembrando armaduras, ora pontiagudos, para quem não teme parecer extremamente forte. Eu, particularmente, adoro, mesmo sabendo que para o meu biotipo não é tão fácil assim aderir à tendência - sou do tipo triângulo invertido, ou seja, meus ombros já chamam a atenção normalmente. O jeito, no meu caso, é assumir essa proporção, sem medo de ser feliz. A boa notícia é que para a maioria das brasileiras - que têm o quadril mais largo do que os ombros - esse tipo de peça ajuda a equilibrar tudo - se essa é a sua vontade, é claro. Independentemente do seu corpo, o mais bacana, acredito, é assumir esse lado mulher mulher, que sabe tomar a rédea da própria vida. Não sei quanto a você, mas, prestes a completar 30, estou adorando essa moda adulta e, ao mesmo tempo, sexy - dá só uma olhada no modelito Lanvin, com um ombro de fora e outro lá nas alturas...puro poder feminino.

quarta-feira, 5 de março de 2008

So far from Paris


Entre o vaivém de roupas nas passarelas no último SPFW, não dava outro assunto: todo mundo comentava a compra de marcas como Alexandre Herchcovitch, Zoomp e Fause Haten pelas novas holdings, formadas por grupos de investidores que prometiam colocar a moda brasileira no mesmo nível de competitividade que se tem lá fora. O que se dizia era que agora nossa moda iria alcançar um novo patamar de profissionalização. Na imprensa, não houve quem não citasse o grupo LVMH como exemplo de gestão, talvez na glamourosa esperança de que Paris fosse logo aqui. Bom, hoje, em uma matéria publicada no Estadão, o que se viu foi uma enxurrada de incertezas, dívidas e complicações envolvendo a maior dessas holdings made in Pindorama - a Identidade Moda - , que certamente vão ter de ser explicadas. Tudo parece bem estranho e a pergunta que deveria ser discutida é: por que ninguém questionou antes se essas holdings eram idôneas? De qualquer forma, a história poderia render um bom livro, tipo O Império do Efêmero. Ah, pena que o título já foi usado pelo francês Gilles Lipovetsky. Quem quiser (e souber) que conte outra.

terça-feira, 4 de março de 2008

Águas de março




Foi-se o tempo em que São Paulo era a terra da garoa - e olha que eu nem sou tão velha assim, mas lembro bem dos meus chuvosos e friorentos aniversários, em julho. Mas, como é sempre bom (e divertido) se prevenir, adoro essa moda waterproof que vem rolando de uns tempos pra cá. Andei fazendo minha parte: ano passado, comprei (finalmente!) um minitrench impermeável da Burberry (lindo, lindo). Na sequência, me apaixonei por um (nos mesmos moldes, só que verde bandeira e bem mais em conta!) da Zara. Agora, estou adorando ver as novas galochas, totalmente repaginadas e fashion (ok, já achava superdivertida a verdadeira sete léguas, mas as estampadas, confesso, são minhas preferidas). Grandes marcas como Pucci e Burberry têm os seus cobiçados modelos (minha amiga e editora de moda Susana Barbosa tem a sua xadrez linda, que usa toda vez que chove ou, pelo menos, ameaça...). A boa notícia é que agora marcas mais acessíveis também fazem versões hype - fui esse fim de semana no Iguatemi e vi modelos fofos na Noa Noa para crianças (Maria Clara adorou o modelo rosa, com carinha de gato) e adolescentes (a de caveirinha é fashion). Essas aí em cima são da Madri e dispensam maiores comentários - onça nos detalhes é um clássico e argyle é a padronagem do inverno.

Arouche nos Jardins





Fiz uma matéria no comecinho do ano passado mostrando o boom de stylists que passaram para o outro lado do balcão e resolveram abrir marcas próprias - o caso mais famoso é o de Dudu Bertholini, que criou, ao lado de Rita Comparato, a Neon e hoje também está à frente do estilo da Cori (adorei a coleção, aliás). Quando conversei com Dudu para saber o que o motivou e falar sobre esse "movimento", ele me deu a dica da D´Arouche, marca de David Pollak e Carolina Glidden-Gannon, que estava saindo do forno. Conversei com David, vi as peças e, na época, achei ótima a idéia de criar básicos com um jeito nem tão básico assim - botões antiguinhos, cortes modernos, tudo ajuda a fazer da camiseta preta algo a mais que uma simples camiseta preta, mas ainda assim com a função da camiseta preta (ufa!). O nome da marca foi inspirado no ateliê da dupla, então instalada no charmoso, mas um tanto quanto decadente, Largo do Arouche. Agora, em novo endereço, as margaridinhas do circuito Jardins já podem se animar com as criações da dupla: a nova loja fica na Alameda Franca, no novo e animado Alto Jardins (do lado tem a loja do Sommer, a Garimpo-Fuxique, a Fabia Bercseck...). Vale a pena passar lá, principalmente em clima de pré-estréia Sex and the City. Ex-assistente de Patricia Field, Carol conseguiu engatar um vestidinho preto lindo da marca no filme mais aguardado pelas fashionistas. Se animou? Então, corra, porque o modelo é do verão.