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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lá e cá





Inspiração? Smoking e tuxedo jackets. Devem dar o que falar. Nas fotos, macacão com mangas, de Stella McCartney (Paris), e a versão brasileira, sem mangas, da Maria Bonita Extra (Fashion Rio).

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Para pensar

Uma das mesas de discussão do Pense Moda mais comentadas reuniu editores, fotógrafos e stylists para debater a questão "criatividade para vender: como conciliar liberdade de criação com as necessidades comerciais de marcas e veículos." O tema era superválido e bem interessante, mas, de cara, a conversa enveredou para a polêmia "referência" - e daí não saiu mais. Como a mesa era muito grande - 4 editores, 3 stylists e 3 fotógrafos -, o papo não rolou - pareciam mais pequenos monólogos. O mais triste, porém, foi deixar a proposta inicial morrer na praia.

O difícil atualmente, em qualquer mídia, é justamente conseguir reunir o comercial e a criatividade. Sim, porque veículos mais livres das amarras comerciais podem, claro, ter mais liberdade. Mas isso significa, muitas vezes, não se vincular ao business de jeito nenhum - a imagem vale pela imagem e, se a leitora gostar de alguma coisa, corre o sério risco de ficar chupando o dedo, já que as roupas usadas nem sempre estão à venda. Por outro lado, quem se prende muito ao chamado serviço pode deixar para trás o sonho, sem dúvida um dos motores da moda. Ver roupinhas que poderiam estar em qualquer vitrine de shopping não é muito inspirador, não é mesmo? Esse meio-termo, como sempre na vida, é o mais difícil de se encontrar e é o que deveria ter alimentado o debate.

Referências existem em todos os lugares e em todas as formas de expressão. E é muito diferente de cópia, esse sim um mal que atinge muitas vezes as publicações brasileiras. Outro tópico dessa mesma mesa foi a busca de um DNA brasileiro. Uns disseram que não temos ainda uma cara própria, já que somos um país novo e colonizado - bom, toda a América não é? E os Estados Unidos estão, em muitos aspectos, inclusive nos editoriais, a anos luz de nós. Outros acreditam que para fazer moda brasileira basta ser brasileiro - mais uma vez, um pouco reducionista. Sou totalmente contra esses clichês samba-sexo-futebol, mas acredito que cada cultura tem sim certas peculiaridades, apesar de vivermos, como todos sabem, num mundo globalizado. Mais uma vez o que deveria valer é o meio-termo: pegue a Bossa Nova como exemplo. É uma das coisas mais brasileiras, sem negar a forte "referência" do jazz americano. O que falta no fundo, acredito, é cultura. Só estudando muito, lendo muito e vendo muitas "referências" de mestres é possível encontrar um estilo para chamar de seu. E talvez aí criar algo novo - em que seja possível visualizar algumas inspirações, mas que nem de longe lembre uma cópia mal feita e mal acabada.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Pequeno notável







Acho lindo cabelos grandes. Mas, toda vez que tento deixá-los crescer, bate uma vontade de correr para o cabeleireiro. É bem verdade que o comprimento médio é esquisito e não colabora (e que eu não sou muito fã de megahair). Mas tem outros fatores envolvidos nessa conta. Minhas it-girls favoritas - do passado e de agora - tinham cabelos ou bem curtinhos ou Chanel, pelo menos em alguma fase da vida. Dizem que os homens não gostam. Não sei por que. Se os compridos são sensuais, os curtos, além de chics e charmosos, podem ser muito sexy. Enfim, são um sopro novo em meio aos metros de fios que costumamos ver por aí, ainda mais em tempos neo hippies. E você o que acha? Cabelos curtos ou compridos - eis a questão!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A pele é a nova bolsa



Entre a pele e a bolsa. Com qual você fica?


Estou obcecada com a minha própria pele. Não que ela tenha algum problema grave, mas, como nunca tratei muito da coitada e só agora encontrei "a" dermatologista (a fera e brava Carla Vidal), fiquei fascinada com a possibilidade de realmente ter a tal pele de pêssego. E dá-lhe tratamento. Ácidos, cremes, protetor solar (sempre), Skin Peel, laser. O investimento é peso-pesado, tipo uma bolsa - da Chanel!!! Por isso, criei essa teoria louca, que dá nome ao post. Mais vale uma pele boa e uma bolsinha mais ou menos, do que o contrário :)

domingo, 13 de julho de 2008

Campos e as peles



Kate Bosworth e seu incrível casaco de pele certificada, da Fendi. Vale?


Fui passar o feriado em Campos de Jordão porque adoro o festival de inverno, o frio, os chocolates e porque, claro, as crianças adoram. O programa foi perfeito: vi Antonio Meneses e Rosana Lamosa na catedral e a orquestra do Rio sob regência de Minczuk no auditório. Comi e bebi muito chocolate. Andei muito de trem - o Bernardo adora. E fiquei de olho - sempre - na moda. E o que a mulherada mais usava por lá? Peles, my dear. Fakes e naturais - aprendi a diferenciá-las com a Gloria Kalil: se tem muito brilho, é sintética. Se é mais opaca (pode pensar no pêlo do seu gato ou cachorro), é verdadeira. Tinham as duas. Algumas horrorosas, com muito brilho e cara de pelúcia B. E as verdadeiras, que me deixam sempre dividida. Não como carne e sou, por princípio, contra qualquer coisa que provoque sofrimento nos animais. Mas confesso que, às vezes, acho pele glamourosa. Se bem que, em Campos, por mais frio que estivesse (e não estava tanto, 5,6 graus), fico pensando se não é um pouco brega usar pele. Enfim, sentimentos contraditórios tomaram conta de mim. E você o que acha? Peles fakes ou verdadeiras são chics ou bregas?

domingo, 29 de junho de 2008

Hamlet e a moda



Fui ao teatro na sexta ver a peça que todo mundo quer ver - só se falava dela nos cadernos culturais e as críticas eram maravilhosas. Wagner Moura como Hamlet? Parecia, no mínimo, promissor. Não gostei. Mas não sou crítica de teatro, certo? Sou jornalista de moda. Então, vamos falar dela. O figurino by Osklen (alguém me corrija se eu estiver errada, mas o formato dos tênis, das calças e dos tricôs são bem suspeitos) me irritou - não que eu ache que eles deveriam estar vestidos como no século XVII, mas essa tentativa de "atualizar" as coisas sempre me soam falsas. O vestido transparente de Ofélia - sem nada por baixo -, idem. Sempre tem que ter uma pelada? O paletó meio dourado do rei da Dinamarca? Não convenceu. Enfim, uma pena. Como leiga, acho que eles derraparam demais nas gracinhas - não só do figurino, mas dos gestos, pulinhos e gritinhos exagerados (a platéia ria com Wagner e ele parecia mais preocupado em entreter do que em mostrar o tormento de Hamlet). E uma quase insuportável câmera filmando tudo e mostrando tudo em telão. Se Hamlet é uma peça sobre o teatro, como disse Aderbal Freire-Filho, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o teatro se preocupou muito em reforçar essa idéia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Somos todas concorrentes?




Anna Wintour (Vogue América) e Carine Roitfeld (Vogue França): eternas "vítimas" do quem é melhor. Vamos trabalhar, gente!

Não sei se é a atmosfera do trabalho, a vaidade ou se é simplesmente "cool". Mas, o fato é que, na moda, essa síndrome da concorrência está na cara de muitas pessoas - sempre com a garantia de render burburinhos, vide a eterna polêmica Anna Wintour e Carine Roitfeld. É claro que o mundo profissional é competitivo por natureza e que revistas e jornais são concorrentes diretos. Mesmo assim, quando trabalhava em rádio, por exemplo, existia uma certa solidariedade que é artigo de luxo na moda. Perdeu a declaração do prefeito? Ah, toma aqui que eu te empresto... não vejo isso acontecer muito entre araras e desfiles...

Na moda, a moda parece ser um tanto quanto blasé. Outro dia, ouvi de uma amiga a seguinte frase: "quando você diz para alguém do mundinho que ela está bonita, a resposta é um seco 'ah, você acha?'". Tipo não tô nem aí para a sua opinião. Ou pior, se você achou é melhor eu não usar mais...ou quem é você mesmo?

Às vezes, a coisa piora e vem mesmo na forma de má educação. Os exemplos são caricatos e vêm da literatura, mas estão aí. Gay Talese conta que no prédio da Condé Nast dava para saber quem trabalhava na revista de moda pelo simples fato da pessoa não dizer bom dia ao entrar no elevador. Bom, Miranda Priestley, em O Diabo Veste Prada, se recusava a dividir o elevador. Ficção? Já vi assistente guardando lugar na fila do banheiro do SPFW e editora furando a mesma fila com a desculpa do "eu estou trabalhando". Bom, não estamos todas?

Exceções, claro, existem. Ou o mundinho seria insuportavelmente chato. Nos blogs de moda, por exemplo, as pessoas perdem um pouco a aura do "eu sei tudo" e trocam informações, incentivam umas às outras, dão idéias. O exemplo mais bacana que vi recentemente é a iniciativa das meninas fofas do Oficina de Estilo + a expert em beleza Victoria Ceridono, do dia de beauté + a especialista em it girl Alê Garattoni. As três estão se unindo para promover encontrinhos com as leitoras e amigas...o próximo acontece neste domingo.

Porque mesmo na moda ou na beleza, universos narcisistas por excelência (estou falando só da ponta, tá gente, sem levar em conta a enorme indústria, que movimenta milhões de empregos), dá para ser amigo (ou será que eu estou meio Amelie Poulin?). Realmente acredito que seria mais divertido se todo mundo fosse legal :). Porque o trabalho, quando é bem feito, fala por si. Não precisa de carão, de puxar tapete ou de encarar o outro como se ele sempre quisesse o seu lugar. Isso é tão old fashion...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dress Code, por favor?

Pode parecer antiquado, old fashion, mas aqui vai a minha defesa para os convites com dress code. Ontem, fui a uma festa e a miscelânea de estilos era tamanha, que deixava confuso mesmo quem está acostumado com os anos 00, em que tudo é permitido. Jeans rasgado com camiseta dividia espaço com vestidos bolo, do tipo baile de debutante cafona; sandálias rasteiras brigavam com saltos altos; ninguém sabia se era o caso de longo ou não. Em festas, colocar o traje ideal - não necessariamente o obrigatório - facilita a vida de muita gente. E contribui para a harmonia estética. Afinal, não dá para confiar no bom senso e, com as formalidades caindo por terra, confundir ocasiões não é raro - vide concertos no Teatro Municipal, em que metade da platéia tira plumas do armário e a outra não desgruta do moletom com tênis. Na dúvida, eu respeito sempre o convidado (ou o ator, ou o cantor) e vou, no mínimo, arrumadinha - deixo o moletom e o velho tênis surrado para a descontração da minha casa.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Quando R$ 100 viram R$ 1000

Outro dia, conversando com uma amiga sobre os preços das roupas de inverno, ela contou que uma outra amiga dela costumava achar caro pagar R$ 100 em uma roupa. Bom, R$ 100 em 2008 pode ser considerado uma verdadeira pechincha. Deixando de lado as espertas opções brechó, lojas de departamento ou pontas de estoque, é difícil encontrar peças com a cara da estação que não sejam caras, muito caras. Dou minha lista de desejos como exemplo. Sempre depois das semanas de moda, anoto os itens que mais gostei (para uso pessoal e mesmo que nunca os compre). Neste inverno, estão/ estavam na lista: um vestido do Reinaldo Lourenço, que custa mais de R$ 5000! Já desisti, óbvio. Um de argyle da Maria Bonita que é super simples, apesar de lindo, mas que não sai por menos de R$ 1000 - detalhe: a meia combinando com a peça, como apareceu no desfile, custa mais de R$ 700. Uma pantalona linda, linda, da Cori, primeira coleção desenhada por Dudu Bertholini e Rita Comparato, que chegou na loja por R$ 1200. Penso muito em desistir, mas ainda tenho esperança de comprá-la, mesmo que seja na liquidação, se ela durar até lá. Uma blusa de franjas do Herchcovitch masculino que custa R$ 800 e pouco... Tá certo que alguns podem dizer que todas essas peças são de desfile e mais conceituais, apesar de eu achar todas absolutamente normais, prontas pro dia-a-dia ou pra noite, no caso do vestido do Reinaldo. Podem ainda alegar que são os materiais - couro, lã, cashmere - os responsáveis pelo boom nas etiquetas. Mas devo dizer que tudo o que tenho visto por aí está bem salgado, mesmo para quem trabalha com moda e está acostumada a ver preços com muitos dígitos - acabo de ver no Iguatemi um macacão lindo, com estrelinhas à la cruise collection Chanel, mas que custa R$ 1600. Será que ficamos mais pobres? Ou será que o lucro das marcas está nas alturas? Que saudade das peças de R$ 100.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Intérpretes da moda


Minha relação com a moda sempre passou pelo visual, embora adore estudar história e estar a par de tudo que acontece. Mas, toda vez que abro uma revista, confesso: a primeira coisa que faço é ir direto para os editoriais. Por conta disso, quando decidi me especializar fiz pós em criação de imagem e styling. Foi bom, embora muitas vezes frustante, já que achava que chegaria à faculdade e teria aulas basicamente em um estúdio fotográfico, com a imaginação rolando solta - em um ano e meio, fizemos apenas um editorial. Mas as aulas teóricas, claro, valeram. História, Estética, papos totalmente livres com professoras queridas e muito inteligentes, como Rosane Preciosa e Cris Mesquita; trabalhos baseados em Bispo do Rosário, poemas, filmes...

Lembrei da faculdade hoje, lendo Stylist - the interpreters of fashion e visualizando os conselhos de Cris: jamais se "inspire" em outros editoriais - fato, infelizmente, corriqueiro por aqui. A moda deve ser multidisciplinar. Ou seja, olhar para as artes, cinema, música, viagens, pessoas e para a rua é muito mais autêntico e eficaz do que se basear naquilo que estão fazendo por aí. Grace Coddington, uma das minhas stylists preferidas, é prova viva da teoria. Mesmo em desfiles, quando todos estão em busca das tendências, ela fica alheia à movimentação. "Spots and stripes? Parkas? Urban sport? That bores me", diz em entrevista à Sarah Mower no livro. Talvez por isso ela seja capaz de criar incríveis editorais inspirados em Alice no País das Maravilhas, fazer imagens que reproduzem o mundo moderno - todos isolados, falando por Blackberry e protegidos por plásticos esterilizados - ou fotografar a casa da modelo Natalia Vodianova, mostrando seu filho, a bagunça ao redor e um look pronto para o Halloween, tudo agora, ao mesmo tempo. Moda é fantasia.

Outra stylist que admiro, Carine Roitfeld, hoje diretora da Vogue francesa, conta que sempre usou a própria intuição para criar as imagens sexy chic (lembra da Gucci, na época de Tom Ford? Teve o enorme pitaco dela) que fizeram sua fama. "Eu só transformo minha imaginação em fotos. Eu nunca fui punk. Nunca tingi meu cabelo de azul. Nunca fui uma ninfomaníaca. Sou uma mulher casada, com filhos", ela diz. "Mas não gosto da girl next door." Moda é ousadia. Já Melanie Ward, que ao lado de Corinne Day ajudou a mudar a cara dos anos 1990 propondo uma moda minimalista, que tinha Kate Moss como garota-propaganda, conta que sempre pensou em moda com algo simples, que pudesse ser vestido por qualquer um. "What is modern? I still believe in what the whole grunge thing pioneered: ease, effortless dressing." Moda também é vida real.

O mais bacana do livro é ver que, independentemente da fonte de inspiração, da história de vida e do jeito de encarar a moda, cada uma dessas grandes contadoras de histórias encontrou uma maneira particular de mostrar aquilo em que acredita. Como diz Anna Wintour no prefácio do livro, mesmo que a moda implique o efêmero, um grande stylist é como uma grande piscina de memórias; é lá que imagens extraordinárias estarão prontas para nadar.